Equipamento para limpar placas solares: a lista completa
Equipamento para limpar placas solares: o kit de limpeza, o de segurança e os cinco itens que estragam módulo e não podem entrar.
Equipamento para limpar placas solares se divide em duas listas, e a maioria de quem começa só olha a primeira. A primeira é o kit de limpeza, que é barato. A segunda é o de segurança, que custa mais e é a que não pode faltar.
Este texto lista as duas, e fecha com a terceira lista, que é a mais importante de todas: o que não pode encostar num módulo.
O kit de limpeza: o equipamento para limpar placas solares no dia a dia
Escova de cerdas macias. É a peça central. Precisa ser macia o bastante para não arranhar o vidro e firme o bastante para soltar sujeira aderida. Escova específica para módulo fotovoltaico existe e vale a diferença; escova de carro de cerda macia é o substituto mais próximo.
Cabo telescópico. É o que permite alcançar o módulo sem pisar em cima dele, e por isso ele não é conforto, é proteção do patrimônio do cliente. O comprimento certo depende do tipo de telhado que você atende, e dois cabos de tamanhos diferentes cobrem quase tudo.
Mangueira e ponto de água. Na maioria dos atendimentos o cliente tem torneira externa. Para os que não têm, um reservatório com bomba de baixa pressão resolve, e a palavra importante ali é baixa.
Rodo de silicone macio. Para retirar o excesso de água e evitar mancha de secagem, especialmente em região de água dura.
Pano de microfibra. Para acabamento e para as bordas, que é onde a sujeira mais se acumula e onde a escova alcança pior.
Balde e água limpa. Trocar a água com frequência importa mais do que parece: água suja carrega partícula, e partícula na escova é o que arranha o vidro.
O kit de segurança
Este é o que separa um serviço de um acidente. Trabalho acima de dois metros do nível inferior é regido pela NR-35, e telhado é sempre trabalho em altura.
- Cinto de segurança tipo paraquedista, com certificado de aprovação válido.
- Talabarte com absorvedor de energia, no comprimento adequado ao ponto de ancoragem disponível.
- Ponto de ancoragem adequado. Este é o item mais negligenciado: cinto preso em lugar que não aguenta é o mesmo que cinto nenhum.
- Capacete com jugular. Sem a jugular, o capacete sai da cabeça exatamente no movimento em que ele seria necessário.
- Calçado antiderrapante, e a disciplina de não subir em telha molhada.
- Luva adequada, contra corte em borda de telha e em quadro de alumínio.
Vale registrar sem meio-termo: EPI tem prazo de validade e precisa de inspeção. Cinto guardado no porta-malas por três anos não é equipamento de segurança, é um objeto com forma de equipamento de segurança.
O que nunca pode encostar num módulo
Esta lista vale mais que as duas anteriores, porque um erro aqui transforma um serviço de centenas de reais num prejuízo de milhares.
- Lavadora de alta pressão. A vedação entre o vidro e o quadro de alumínio não foi projetada para receber jato. O dano é infiltração, e ele não aparece no dia.
- Detergente, desengraxante, álcool e solvente. Atacam a camada antirreflexo do vidro. Depois disso o módulo reflete luz que deveria absorver, de forma permanente.
- Escova de cerda dura, palha de aço e esponja abrasiva. Risco no vidro é para sempre, e risco espalha luz.
- Seu próprio peso sobre o módulo. O vidro aguenta carga distribuída, não um pé. A microfissura resultante não é visível e aparece meses depois, na geração.
- Água fria em módulo quente. Limpar sob sol forte do meio-dia é choque térmico. As janelas certas são início da manhã e fim da tarde.
Por onde começar a comprar
Se o orçamento é apertado, a ordem de compra é esta, e ela não é negociável:
- Segurança primeiro. Cinto, talabarte, capacete e calçado. Sem isso não se sobe, e sem subir não há serviço.
- Escova macia e cabo telescópico. É com eles que o serviço acontece.
- Rodo, microfibra e balde. Acabamento, e é o acabamento que o cliente vê.
- Reservatório com bomba de baixa pressão. Quando aparecer o primeiro cliente sem ponto de água.
- Sistema de água deionizada. Quando o volume justificar, e não antes.
A tentação de inverter a ordem é grande, porque o item 2 é o que faz o trabalho e o item 1 é o que "não faz nada". É exatamente por isso que a ordem está escrita.
O resto do caminho
Com o equipamento certo, o que falta é o método: a sequência da limpeza, como se comportar em cada tipo de telhado, como orçar e como conseguir os primeiros clientes. Isso está em Como trabalhar com limpeza de placas solares: por onde começar e, com o número na mão, em Quanto ganha quem limpa placas solares? A conta, sem promessa.
O passo a passo completo, com o vídeo do processo acontecendo na prática, está no e-book Faturando com Limpeza de Placas Solares.
Perguntas frequentes
Que escova usar para limpar placas solares?
Escova de cerdas macias, própria para superfície de vidro, acoplável a cabo telescópico. Cerda dura, escova de aço e esponja abrasiva arranham o vidro e a camada antirreflexo, e esse dano é permanente.
Pode usar lavadora de alta pressão?
Não. A vedação entre o vidro e o quadro de alumínio do módulo não foi feita para receber jato. Forçar ali abre caminho para umidade entrar, e aí o problema deixou de ser sujeira e virou perda de módulo.
Pode usar detergente ou desengraxante?
Não. Produto de limpeza doméstico ataca a camada antirreflexo do vidro. Água é o suficiente na esmagadora maioria dos casos, e quando não é, o caminho é ação mecânica com escova macia, não produto mais forte.
Precisa de água deionizada?
Ajuda, porque água com muito mineral deixa mancha ao secar, e em região de água dura isso é visível. Não é obrigatório para começar: dá para trabalhar com água comum e secar corretamente, e evoluir para deionizada quando o volume justificar.
Qual o equipamento de segurança obrigatório?
Trabalho acima de dois metros é regido pela NR-35: cinto de segurança tipo paraquedista, talabarte, ponto de ancoragem adequado, capacete com jugular e calçado antiderrapante. Não é sugestão, e não é onde se economiza.
Fontes
- NR-35: Norma Regulamentadora de Trabalho em Altura, do Ministério do Trabalho e Emprego, aplicável a atividades executadas acima de 2 metros do nível inferior
- NR-6: Norma Regulamentadora de Equipamento de Proteção Individual
- Manuais de operação e manutenção de fabricantes de módulos fotovoltaicos, que recomendam água e escova macia e desaconselham produto abrasivo e jato de alta pressão
